quinta-feira, abril 26, 2007

POLUIÇÃO NA CHINA

A implantação de uma empresa farmacêutica deslocalizada de uma zona costeira fez com que um distrito do centro da China visse o seu PIB aumentar 9,8 milhões de euros e criou emprego para 400 pessoas. O reservo da medalha é o problema das águas despejadas por essa fábrica num ribeiro, agora poluído ao longo de cerca dez quilómetros. Um odor nauseabundo empesta ambas as margens; os campos férteis estão agora contaminados, bem como os lençóis freáticos, e em várias aldeias aumenta o número de pessoas doentes.
Este não é um caso isolado na China de hoje. Regiões inteiras foram atingidas pela febre do “boom” económico e, paralelamente, a poluição agrava-se de forma inexorável.
Mais inquietantes ainda são as opiniões dos especialistas em questões ambientais. Segundo eles, o rápido crescimento económico da China assenta principalmente no assumir de riscos e no desprezo pelos recursos naturais. A poluição ambiental e a destruição de ecossistemas tomam proporções inauditas e apresentam hoje um carácter estrutural. Os avanços económicos e sociais marcam passo. Hoje, a crise ambiental não precisa de ser anunciada: tornou-se uma limitação inerente ao desenvolvimento económico e social.
Em 2004, as perdas financeiras pela poluição em todo o país elevaram-se a 50,5 mil milhões de euros, ou seja, 3,05 por cento do PIB. Estes números foram retirados do primeiro relatório nacional alguma vez publicado na China, que avalia os danos ambientais do ponto de vista económico. Trata-se do “Relatório verde sobre a evolução da economia nacional da China – 2004”, publicado conjuntamente pela Administração Estatal para a Protecção Ambiental (SEPA) e pelo Instituto Nacional de Estatística. A população pode, pela primeira vez, avaliar de forma quantificada as perdas económicas e sociais resultantes da degradação do ambiente.
O relatório de 2004 dá, pois, um retrato parcial. De qualquer modo, calcular os custos ambientais não basta; o essencial é procurar reduzi-los à partida.
De acordo com os peritos, a poluição das águas e as emissões de dióxido de enxofre, em vez de baixarem, mantêm-se a níveis elevados. Isso explica-se pelo rápido crescimento do primeiro semestre de 2006, que resultou sobretudo de investimentos em sectores industriais ávidos de energia e poluidores, como as centrais térmicas. Os documentos fornecidos pela SEPA mostram que, desde a fundação da República Popular, há 50 anos, o PIB mais que duplicou, enquanto o consumo de recursos mineiros foi multiplicado por mais de 40.

In, Courrier Internacional, Março 2007

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